Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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29.06.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Quais são os diálogos possíveis entre a universidade e o empreendedorismo?

O alinhamento entre uma pesquisa refinada e práticas inovadoras pode fazer com que as universidades brasileiras cada vez mais formem empreendedores sociais

O alinhamento entre uma pesquisa refinada e práticas inovadoras pode fazer com que as universidades formem empreendedores sociais.

A produção de conhecimento dentro das universidades é fervilhante. Sendo um espaço naturalmente ocupado por jovens, cheios de ideias e abertos à experimentação, nascem na academia boas ideias e pesquisas inovadoras. Foi em meados de 1980 que universidades norte-americanas perceberam que esse seria um território prolífero para falar e incentivar o empreendedorismo social. Faculdades como Babson College, em Massachusetts, e Stanford, na Califórnia, adotaram como prerrogativa que a inteligência nelas produzida não ficasse restrita às paredes acadêmicas, servindo como propulsão para negócios e iniciativas benéficas a comunidade.

Embora os diálogos entre universidades brasileiras e a área de negócios sejam de ordem mais recente, as instituições nacionais vêm percebendo a importância de se debruçar sobre o ensino do empreendedorismo: tanto a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (UNICAMP), instituições de referência, têm centros de inovação para impulsionar a criação de pontes entre as áreas. O próprio perfil dos alunos brasileiros também é um incentivo. Segundo a pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras, lançado em 2014 pela Endeavor, 57,9% dos universitários brasileiros querem empreender.

“Temos percebido que as universidades desejam se tornar lugares de maior prática”, explica Rogério Oliveira, cofundador e gestor da Yunus Negócios Sociais Brasil. O braço educacional da empresa criou a Rede Yunus de Universidades para apoiar o ensino e a capacitação de empreendedores nas universidades brasileiras. “O ser humano aprende mais quando ele pratica a teoria, então é um movimento natural que as instituições implementem cada vez mais a prática como método educativo. Não podem haver divisões e dicotomias, separando teoria e prática”, ele complementa.

A cultura acadêmica brasileira pode levar a uma produção de conhecimento bastante confinada a quem o fez ou quem tem facilidade de acesso a ele. Trabalhos de conclusão de curso parados em bibliotecas universitárias ou artigos em prateleiras podem se tornar negócios inovadores, precisando somente de espaço para se desenvolver. “Quanto mais as universidades estão abertas para tornar o produto das pesquisas reais, mais vemos projetos melhores. Os projetos precisam sofrer o teste do mundo, obrigar o aluno a dialogar mais, conversar com quem vai usufruir da pesquisa. Se preocupar menos com quantidade de pesquisas ou papers publicados e mais com o que deu frutos e está disponível para a população.”

E o território da universidade, que é por si só de experimentações, é uma zona de protagonismo juvenil, na qual o universitário pode exercer ao máximo seu poder empreendedor, ainda mais se aportado por um ambiente que oferece disciplinas e mentoria na área. “Na universidade ele pode errar, com o menor risco possível, em uma zona de conforto”, explica Rogério. Ele exemplifica: na área de negócios sociais, se a universidade mantém uma boa relação com a comunidade em seu entorno e tem conhecimentos de fundos de investimentos sociais, ela pode ser uma aceleradora da ideia de seus alunos.

Em contrapartida, o empreendedor também pode se beneficiar de um ambiente fértil em referências e teorias fundamentais para resolução de problemas que possam surgir no desenvolvimento de negócios. Rogério explica que existe uma mitologia ao redor do ensino de empreendedorismo: “Nos acostumamos com a premissa de que ele é complexo e desafiador, portanto difícil de ser sistematizado. Com essa desculpa, o empreendedor se dispõe pouco a aprender em teorias, livros e experiências anteriores”.

O Brasil é sempre listado como uma das nações mais empreendedoras do mundo, ou seja, já há uma demanda natural do país pela cultura empreendedora e como ela pode se inovar. Se as universidades acompanharem essa tendência, oferecendo aos alunos campos prolíferos de criação e inventividade – e também aprendendo a implementação da prática –, elas colocam para os universitários o empreendedorismo social como uma trilha possível de ser percorrida como carreira, estreitando laços entre a pesquisa referencial e a prática aplicada à realidade brasileira.


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