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09.06.2016
Tempo de leitura: 5 minutos

Inovar para contemplar crianças e jovens: TEDxSãoPaulo debate a educação no país

18 palestrantes apresentaram práticas e questionamentos importantes sobre a educação no século XXI.

18 palestrantes apresentaram práticas e questionamentos importantes sobre a educação no século XXI.

O adulto quando brinca com a criança, brinca consigo mesmo”. A citação do poeta Carlos Drummond de Andrade, lembrada pelo palestrante Fernando Tsukumo, resume o tom das palestras do TEDxSãoPaulo, que aconteceu no dia 6 de junho. Os 18 palestrantes que subiram ao palco do Allianz Parque tinham a educação como fio condutor de suas falas – e cada um deles se debruçou nas reflexões que orbitam ao seu redor: o olhar atento e respeitoso para as capacidades infinitas de aprendizado das crianças; o poder do lúdico na vida delas e também na dos adultos, além de pensar como a inovação na educação é efetiva quando se apoia na tecnologia e no empreendedorismo.

O TED é uma organização sem fins lucrativos que reúne pensadores em palestras curtas e instigantes, sempre sobre um tema em comum, trazendo práticas novas para provocar os espectadores. Foi oportuno que o tema tenha sido educação e isso foi frisado em diversos pontos do evento; se o país e o mundo se encontram em delicados momentos de transformação, a educação é protagonista desse futuro à porta: discutir o engessamento das práticas educativas e o que está sendo feito para combatê-lo, o lugar da escola e, principalmente, o potencial revolucionário das crianças. O evento teve transmissão em streaming para escolas da rede municipal da cidade e para os internautas interessados em acompanhar o evento a distância.
A cineasta Estela Renner abriu o ciclo de palestras abordando importância de olhar para os princípios. No caso de seu recém-lançado filme, O Começo da Vida, as câmeras focaram nos primórdios da infância. Viajando por mais de seis países, o documentário cobre essa idade por vezes subestimada, que muitos creem ser a de um corpo intuitivo e que pouco aprende ou tem a ensinar. Conversando com mães e pais das mais diversas situações sociais e econômicas, o filme mostra que atenção para etapa da vida é fundamental, englobando também atenção para os adultos cuidadores: “Se a gente não cuida de quem cuida das crianças, a criança é descuidada”, ressaltou.

Ao prestar atenção na criança, é natural também analisar a instituição onde ela passa boa parte de sua vida, e que não parece mais contemplá-la. Camila Achutti, grande defensora do ensino de programação e da igualdade de gênero quando se trata de aprendizados digitais, provocou a plateia a falar mais sobre tecnologia com as crianças ao seu redor. “Não podemos crer que só porque elas são chamadas de nativos digitais elas saibam como as mídias funcionam”. Para ela, alfabetizar crianças digitalmente é tão importante quanto a alfabetização tradicional, e para isso, as escolas precisam mudar.

No intervalo entre os blocos de palestrantes, a plateia participou de workshops e oficinas gratuitas disponibilizadas por apoiadores do evento, como a Fundação Telefônica Vivo. No espaço da Fundação, o Projeto Arrastão, nosso parceiro no Programa Pense Grande (que é focado no empreendedorismo social para jovens), conduziu o workshop e fez uma pequena reprodução das oficinas que realizam com a turma do Pense Grande: pilhas, tampas de garrafas plásticas e barbantes transformavam em carrinhos e em objetos móveis para os participantes.

Esse exercício de criatividade, erros e soluções colaborativas ajuda a explicar o que é o Movimento Maker. “As pessoas se dão conta de que conseguem fazer mais do que acharam que seriam capazes. Percebem que têm conhecimento e que existe um valor na gambiarra, do intuitivo e no que todo mundo sabe fazer”, detalha Luiza Gianesella, educadora do projeto.

No segundo bloco, os trechos de livros trazidos pelo educador Luis Junqueira emocionaram os espectadores. Escritos tanto por crianças quanto por adolescentes da Fundação Casa, os livretos são frutos da iniciativa Primeiro Livro, que as incentiva a escrever, diagramar e publicar suas primeiras obras literárias. “O trabalho do Primeiro Livro é deixar os meninos livres para criar.” Ele falou sobre uma educação que muitas vezes priva o indivíduo de se expressar livremente, sem levar em conta seus contextos sociais. A palestra se encerrou com o depoimento em vídeo de um jovem escritor da Fundação Casa, que agradeceu ao Luis por enxergar seu coração e deixá-lo solto para criar.

Falar de educação e de crianças é falar do brincar – mas por que o brincar se perde na medida em que cresce a espinha dorsal, por que os adultos refutam o lúdico ou o consideram de menor valor? Fernando Tsukumo, fundador da empresa Sua Vez, também se emocionou aos falar das reminiscências de uma infância e de uma vida passada entre jogos digitais e tabuleiros, e como estes últimos podem servir como plataforma para fazer com que crianças se desenvolvem plena e empaticamente.

Renata Meirelles, ao apresentar seu projeto Território do Brincar e falar da importância de permitir que a infância brinque, se suje e se reconecte com a natureza, encerrou sua apresentação com uma das bases da educação no século XXI: a revolução está nas crianças, e o quão bonito seria que os participantes compartilhassem dessa crença.


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