Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

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01.08.2018
Tempo de leitura: 4 minutos

Inovação e tecnologia contribuem na inclusão de alunos com deficiência

Após formação do Aula Digital, escola de Sergipe passou a desenvolver projetos em tecnologia assistiva

Após formação do Aula Digital, professor Anderson Reis, de escola do Sergipe, desenvolve projetos em tecnologia assistiva

No Centro de Atendimento Educacional Especializado João Cardoso Nascimento Júnior, em Aracaju (SE), a chegada dos kits tecnológicos do projeto Aula Digital, da Fundação Telefônica Vivo, representou uma nova fase na aprendizagem dos 120 alunos – todos com algum tipo de deficiência de alto comprometimento.
Anderson de Araújo Reis é gestor da escola há mais de um ano. Pela primeira vez na direção, ele sempre trabalhou com educação inclusiva. É também doutorando em educação, na Universidade Federal de Sergipe, e pesquisa tecnologias da informação e da comunicação.
Para ele, a formação do projeto Aula Digital foi importante para ajudar a escola a usar ferramentas que, muitas vezes, já estão lá. “Por isso a formação que recebemos foi tão importante e deve ser contínua. Precisamos fazer a diferença na comunidade, a partir das nossas próprias necessidades e conhecimentos”, afirma.

Estímulo à autonomia

O gestor acredita que ainda vivemos em um sistema excludente, que enxerga o ser humano dentro de um padrão de normalidade. “Muitas vezes a exclusão acontece, porque não sabemos como conduzir a inclusão. Mas agora chegou um recurso tecnológico que pode agregar muito”, comemorou.
Segundo ele, o uso de tablets, computadores e novos softwares promovem o reconhecimento do sujeito na sociedade, uma vez que ajuda a aprofundar o processo de ensino-aprendizagem. “Há, por exemplo, pessoas que não falam, mas se comunicam por meio da escrita. A tecnologia vem para auxiliar nesses processos. Podemos trabalhar com jogos e trazer novas possibilidades de aprendizagem”.
Ao lado dos educadores, o gestor busca utilizar ferramentas voltada para o público específico da escola. “Temos todos os tipos de deficiência, múltiplas inclusive, como autismo e paralisia cerebral”. A ideia é utilizar os recursos do kit em uma área chamada tecnologia assistiva. O termo ainda é novo, mas é utilizado para identificar todo o arsenal de recursos, serviços, metodologias e estratégias que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência, de modo a promover inclusão e independência.
“Desenvolvemos recursos e metodologias por meio da tecnologia, para favorecer a autonomia no processo de inclusão das pessoas, tanto no campo educacional, quanto no social”, disse.

Processo

Dentro dessa jornada de formação, Anderson disse que se admirou com a logística do projeto. “O material só chegou depois da escuta, da interação e de um processo de entendimento da realidade escolar. Tivemos formação e, além da formação, a possibilidade de discutir realidades.”

Para o gestor, inclusão não é apenas garantir a matrícula dos alunos, mas consagrá-los a partir de suas necessidades e especificidades. “Estamos no momento de adaptar conteúdos. A nossa área de tecnologia assistiva sempre propõe projetos piloto e agora temos uma ferramenta muito maior para trabalharmos.”

Na prática

Durante o processo de letramento de alunos com deficiência intelectual, o professor propôs uma atividade de construção do reconhecimento de onde se vive, incentivando os alunos a falarem sobre a casa e a família.
“Uma das alunas da sala não fala, mas usou o tablet para construir a casa e representar o pai, a mãe e o irmão. Foi emocionante. Por meio da ferramenta, ela expressou o que sabia”.

Atuação em Sergipe

Iniciativa global da Fundação Telefônica e Fundação Bancária “La Caixa”, que visa melhorar as oportunidades das crianças na África, Ásia e América Latina, incorporando a inovação nas escolas por meio da tecnologia e de novas metodologias de ensino e aprendizagem, o Projeto Aula Digital chegou a Sergipe em 2017 devido a uma parceria com o Governo do Estado. Entre os assuntos trabalhados nas formações ministradas pelo Instituto Paramitas, parceiro executor do projeto no Sergipe, estão temas ligados à inovação educativa, visando ampliação do repertório e inspirações para novas experiências educacionais.


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