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29.07.2021
Tempo de leitura: 6 minutos

Jovens empreendedores criam projetos para resgatar autoestima e incluir refugiados

Evento que premia os melhores projetos de jovens que passaram por formações com a metodologia do Pense Granderecebe pela primeira vez jovens atendidos por ONGs

jovens criam projetos resgate autoestima

Dois aplicativos pensados por jovens empreendedores: um que visa aumentar a autoestima de crianças e combater o estigma do vitiligo, doença não transmissível que causa manchas na pele; outro que tem por missão conectar refugiados a empresas, gerando renda a quem teve de deixar seu país de origem. Esses foram os projetos destacados na 6ª edição do Demoday Pense Grande, que aconteceu no dia 27 de julho, em São Paulo.

A edição de 2019 trouxe uma novidade. Além de envolver os alunos de nove ETECs e Fatecs do Estado de São Paulo, também participaram jovens atendidos por ONGs e que receberam aulas de voluntários multiplicadores da metodologia Pense Grande.

Infográfico mostra organização da 6ª edição do Demoday Pense Grande, que contou com a participação de jovens empreendedores apoiados pelas ONGs Liga Solidária, Isbet, Naia e Verdescola.

Mila Gonçalves, gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo e que compôs as bancas de jurados, explicou a inclusão dos espaços não escolares e agradeceu aos parceiros Atados,Impact Hub e o Centro Paula Souza, que fazem essa experiência acontecer.

“O Pense Grande nasceu fora da escola como um programa de desenvolvimento de empreendedores. Ao longo dos anos, e muito provocados também pelo Centro Paula Souza, nos aproximamos das escolas. Hoje, temos aqui duas frentes de atuação do nosso programa: os jovens das ETECs e Fatecs e os jovens atendidos pelas ONGs. As frentes andam em paralelo e juntá-las neste evento faz todo o sentido, porque é um processo similar, mas em instituições de naturezas distintas”, resumiu na fala de abertura.

O evento marca o fim da jornada iniciada no primeiro semestre do ano tanto nas escolas técnicas e faculdades de tecnologia, quanto nas instituições não governamentais. Ao longo dela, são formados jovens empreendedores por meio da metodologia Pense Grande e ferramentas como Design Thinking e Teoria U. Eles são provocados a criar soluções de impacto social que envolvam tecnologia e estejam alinhadas a um ou mais dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.

Combatendo estigmas contra o vitiligo

No Demoday, cada grupo das escolas técnicas e ONGs teve cinco minutos para fazer um pitch, ou seja, para apresentar seu projeto a uma banca composta por cinco profissionais com sólida trajetória no mundo dos negócios. Os jurados escolhem os dois grupos que melhor se destacam nos critérios Inovação, Atitude Empreendedora, Impacto na Comunidade, Clareza na Apresentação e Tecnologia.

O primeiro lugar entre as escolas técnicas e faculdades de tecnologia ficou com o M.Q.M., ou Minhas Queridas Manchas, um aplicativo que visa dar visibilidade e representatividade a pessoas com vitiligo,uma doença não contagiosa que causa manchas na pele.  Apesar de o Brasil registrar 150 mil novos casos ao ano, o tema é pouco discutido e, segundo pesquisa feita pelo grupo, 90% das pessoas acreditam que quem possui vitiligo sofre preconceito e alguma forma de rejeição.

O aplicativo foca no público infantil e pretende disponibilizar acesso a psicólogos e atividades com fotógrafos para resgatar a autoestima dos pequenos. A renda virá da venda de produtos como camisetas, agendas e bonecas, personagens dariam representatividade às crianças.

Imagem mostra uma boneca de vestido vermelho e outra de vestido amarelo, com manchas no corpo. Os protótipos são do grupo de jovens empreendedores Minhas Queridas Manchas, projeto que visa resgatar a autoestima de quem tem vitiligo.

A aluna Bruna Marques Oliveira, representante da equipe da ETEC de Poá, fez o discurso de agradecimento: “queria agradecer ao Pense Grande pela oportunidade de fazer algo palpável para ajudar uma parte da sociedade.Muitas vezes é o que a gente quer fazer, mas a maior parte das pessoas não sabe por onde começar. Não há produtos assim nas lojas, por isso pensamos no público infantil, que pode já crescer se sentindo representado. Queremos fazer as crianças se sentirem bonitas, porque são bonitas do jeito que são!”.

Ela também destacou a participação da família no processo. “As bonecas que trouxemos de protótipo, minha avó quem fez.Ela é uma artista fantástica!”, continuou a jovem apontando para a plateia.

A mãe de Bruna, Cibele Aparecida Marques, exaltou o grupo: “Daqui para frente é continuar! Ninguém falou que seria fácil, mas é preciso lutar sempre! Estão todos de parabéns: professores, alunos, pais”.

O segundo lugar da categoria ficou com o projeto NeuroEduca, da ETEC de Mauá, que propõe formações continuadas para professores e educadores usando conceitos da neuroeducação e do neuromarketing.

Trabalhando pela inclusão de refugiados

Entre os grupos de jovens atendidos por ONGs, o primeiro lugar ficou com o ID=M, ou IDEM, que lançou luz sobre a dificuldade de adaptação de refugiados em outros países. Segundo o grupo, cerca de 69 milhões de pessoas deixam seus países todos os anos. A maior parte dos que chegam ao Brasil tem alta escolaridade e 79% tem interesse em empreender.

Por isso, a proposta é a criação de um aplicativo que conecte refugiados que queiram vender algum serviço a empresas ou pessoas. Ou seja, é uma ponte entre os refugiados e os contratantes. Por ser um público em situação muitas vezes vulnerável, a ideia é que a plataforma conte a história de cada um deles.

Segundo os jovens empreendedores do grupo, os voluntários da Isbet foram fundamentais. “Os nossos multiplicadores ajudaram muito nesse processo, deram dicas para a apresentação e proporcionaram isso pra gente!”, agradeceu Gabriele Nascimento.

E o grupo pensa no futuro: “já estamos procurando formas de levar para frente este aplicativo.Pegamos feedbacks de algumas pessoas que podem ajudar”, afirma Gabriele. “A gente acredita nele, então não vai parar aqui!”, complementa Larissa Ferreira, sua colega no IDEM.

Entre os projetos ligados às ONGs, o segundo lugar ficou com o Lady Jobs, uma plataforma que tem o objetivo de empoderar mulheres e combater a desigualdade de gênero por meio de oficinas e inserção no mercado de trabalho.

Os projetos premiados com o primeiro lugar receberão o curso Abraço Cultural e uma imersão no evento BlastU 2019. Já os que ficaram em segundo lugar ganham um curso online da Perestroika.

Mila Gonçalves, gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo, está de jaqueta jeans falando ao microfone em cima do palco do Demoday do Pense Grande, evento que premia jovens empreendedores.

Ao término, a gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo, Mila Gonçalves, deixou um conselho aos jovens: “zelem muito pelas relações, as relações de confiança, de colaboração. Os números passam, mas o que você constrói com as outras pessoas é o que mais importa”.

Ela também ressaltou a importância da tecnologia e adiantou os planos do Programa Pense Grande em levar a uma plataforma digital toda essa experiência da jornada empreendedora, de desenvolvimento de projeto, apresentação de pitch e avaliação por uma banca de jurados. A intenção é multiplicar oportunidades a mais jovens empreendedores.

“A gente tem cerca de 50 milhões de jovens no Brasil. Desses, 11 milhões não estudam e não têm um trabalho ou uma ocupação formal. Nosso país só vai se desenvolver quando aproveitar o potencial da população e a gente sabe que a juventude é o nosso motor. Tem para todo mundo e quanto mais a gente ajudar o outro, mais vai crescer!”, encerrou Mila Gonçalves.

Infográfico mostra grupos empreendedores jovens que ficaram em primeiro e segundo lugar no Demoday Pense Grande: 1º lugar para os grupos Minhas Queridas Manchas, da ETEC de Poá, e Idem, da Isbet; segundo lugar para os grupos NeuroEduca, da ETEC de Mauá, e Lady Jobs.


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